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Uso de drogas é um dos principais meios de transmissão de hepatite C

Por: MAIKO DA CUNHA MAGALHÃES

11/11/2005

Há aproximadamente quatro anos funciona em Araraquara(SP) o Programa Municipal de Hepatites Virais, com ambulatório centralizado no Serviço Especial de Saúde (SESA).

Tanto o tratamento quanto os medicamentos são gratuitos. Todos os casos de hepatite crônica ou aguda são encaminhados para o local. A maioria dos casos se constitui em hepatite B ou C. "As hepatites do tipo A geralmente são resolvidas nos próprios postos de saúde, pois é uma hepatite benigna, de evolução sem muita complicação", diz o hepatologista Eduardo Charbel Honain.

O especialista explica que o programa existe, principalmente, para atender os casos de hepatite B ou C, pois são doenças de potencial de cronificação. De 5% a 10% dos casos de hepatite B podem se tornar crônicas e cerca de 80% dos casos de hepatite C podem se cronificar.

"O grande problema hoje é a hepatite C, pois de certa forma já existe um controle para o tipo B com o uso da vacina há muitos anos. Existe a vacinação de rotina para os recém-nascidos(RN) até os 20 anos de idade. Para a hepatite C não existe vacina. Estamos ainda um pouco longe de conseguir a vacina, pois o vírus sofre muitas mutações a exemplo do vírus da Aids" .

O médico ressalta que essa cronificação da doença (tipo C) pode resultar em cirrose, câncer. "De todos os casos que se cronificam, 20%, por exemplo, evoluem para cirrose e cerca de 5% para câncer de fígado",diz.

Atualmente existem no mundo cerca de 170 a 200 milhões de pessoas contaminadas pela hepatite C e cerca de 400 milhões de pessoas contaminadas com a do tipo B, segundo estatística da Organização Mundial de Saúde (OMS).

"O Brasil se situa numa área de uma incidência de aproximadamente 1,5% de hepatite C da população, ou seja, em torno de 3 milhões de portadores e quase o mesmo índice, 1% a 1,2% de prevalência se aplica a hepatite B, mas isso não quer dizer que todas essas pessoas irão desenvolver cirrose ou câncer", observa o médico. "Isso acaba acarretando um enorme gasto em termos de saúde pública, pois acabamos tendo um número muito grande de transplantes de fígado", completa.

Em 1998 foi realizada uma estatística pela OMS que o número de transplantes hepáticos em conseqüência da hepatite crônica C aumentaria em dez anos em torno de 500%.

A hepatite C é uma doença de evolução muito lenta, demorando de 20, 25, às vezes, até 30 anos para desenvolver uma cirrose, embora existe uma série de fatores que contribuem para isso.

"As pessoas que se contaminaram nos anos 60, 70 ou mesmo 80 estão apresentando agora a doença descompensada, apresentando cirrose, câncer e a conseqüência disso são os transplantes, tratamentos e casos que não têm condições de transplantes, mas geram um enorme gasto em termos de tratamento",informa.

Por isso existe esse programa cujo objetivo é detectar os casos, se está ocorrendo a doença hepática naquele paciente, pois uma coisa é ter o vírus, outra é desenvolver a doença.

"Depois de detectados os casos, acompanhá-los com freqüência e estar sempre observando o momento em que a doença poderá estar se manifestando e você poder tratar", completa Honain.

O Ministério da Saúde alerta as pessoas que se submeteram à transfusão ou a transplante antes de 1993 para que procurem uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Honain salienta que embora haja um tratamento disponível tanto para a hepatite C quanto para a B, os medicamentos têm limites de efetividade, ou seja, não são eficazes em 100% dos pacientes agindo numa pequena porcentagem dos mesmos. "Por exemplo, se pegar hepatite, dependendo de um dos seis subtipos de vírus que ela apresenta, os chamados genótipos, a hepatite responde mais fácil ou não".

Segundo ele, o genótipo tipo 1 que é o mais prevalecente no Brasil, no estado de São Paulo e em nossa cidade é o mais difícil de tratar e o que responde menos a tratamento, aproximadamente 50% dos casos. "Já os genótipos 2 e 3 que vêm em segundo lugar em termos de prevalência no nosso meio respondem melhor a tratamento, cerca de 85% dos casos. Mas tudo depende do genótipo".

Em Araraquara são aproximadamente 800 pacientes com hepatite C cadastrados no programa. "Existe todo um protocolo do Ministério da Saúde, protocolo da Sociedade Brasileira de Hepatologia, da Sociedade Brasileira de Infectologia que determina os critérios de inclusão ou não desses pacientes num determinado tratamento", explica.

De acordo com ele, com base em estudos científicos, não é previsto, por exemplo, o tratamento de pessoas acima de 70 anos ou se a pessoa apresentar alguma outra doença grave, se tem uma doença cardíaca importante, doença sistêmica, diabetes descompensado, entre outros critérios que excluem o tratamento, pois o mesmo pode acabar trazendo ao paciente mais prejuízos do que benefícios.

Quanto a novos medicamentos, Honain diz que o protocolo orienta que devem se basear no que os estudos clínicos, já comprovados, liberam para o tratamento. "O que temos para a hepatite B é o Interferon, a Lamivudina e o Adefovir. As duas primeiras são as drogas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a terceira ainda não está disponibilizada, mas não sabemos se futuramente poderá estar",diz.

Para a hepatite C os medicamentos para tratamento são a Ribavirina e o Interferom. Existem novas drogas que ainda estão em fase de estudo e pesquisa, mas que ainda não estão disponibilizadas para o uso rotineiro".

Atualmente o principal meio de transmissão da hepatite C é o uso de drogas injetáveis. "Até 1988/89 a transfusão de sangue também era uma fonte de transmissão, pois não havia testes sorológicos. Hoje o rigor dos nossos bancos de sangue é muito rigoroso. O uso de cocaína intranasal (inalável) também se constitui numa forma de transmissão; por relação sexual existe, mas é de baixa incidência configurando 5% dos casos", informa Honain.

Ele informa que existe o risco de transmissão da mãe para o recém-nascido, mas também é muito incomum, cerca de 1% a 3% dos casos; por acidentes ocupacionais, mas a incidência é muita baixa também. "O grande foco de transmissão, hoje, é o uso de drogas. Se o indivíduo usar droga indovenosa por pelo menos seis meses seguidos, o risco de contaminação é de 90%", conclui.

O hepatologista observa ainda que a prevenção é importante e que as vias de transmissão da hepatite C e da B e do HIV são semelhantes. "Compartilham algumas vias de transmissão. É grande o número de pacientes co-infectados, ou seja, cerca de 33% de pessoas que têm HIV, o vírus da Aids, têm hepatite C também. É grande o número do co-infecção.

"Se pegarmos o grupo específico de pessoas que se contaminou com Aids usando drogas, esse número cresce para 80%, mostrando que o uso de drogas é uma importante via de transmissão".

A hepatite, segundo Honain, é uma doença, muitas vezes, sem sintomas característicos, de evolução muito lenta e que na maioria das vezes é descoberta através de exames de rotinas ou mesmo através de doação de sangue.



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