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Portaria da Artesp desagrada passageiros de ônibus

Por: ALVARO TANIGUTI

10/08/2005

Os passageiros de ônibus intermunicipais em São Paulo convivem, há cerca de um mês, com a obrigatoriedade de parada a cada 170 quilômetros percorridos.

A portaria 9/2005 da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) define postos às margens das rodovias, agências de viagens ligadas à empresa transportadora ou terminais rodoviários dotados de serviços ao usuário como pontos de descanso, com tempo de espera nunca inferior a 20 minutos. O objetivo, de acordo com a agência, é reforçar a segurança, o conforto e o descanso dos motoristas e passageiros.

Na prática, o passageiro ainda não sentiu a aplicação da medida, pois as empresas continuam oferecendo os horários sem paradas. Os usuários, por enquanto, comemoram a possibilidade de escolha e não escondem sua preferência. É o caso do aposentado Masaru Nogami, 60 anos, que viajaria 270 quilômetros entre Araraquara (SP) e a capital paulista. “Não há necessidade de parada, pois o ônibus é dotado de banheiro.”

A afirmação é compartilhada com a advogada gaúcha Vanda Tesch, 46 anos, ao deixar claro que “as paradas tornam-se cansativas e ociosas em pequenos percursos.” Acompanhada de uma sobrinha, havia saído de Porto Alegre (RS) para resolver negócios de família em São Paulo e mostrou-se surpresa com a portaria estadual. “É pouca quilometragem para justificar uma parada”: e acrescenta: “O ideal seria em viagens acima de 250 quilômetros”.

A psicóloga Eva Chaska Tesch, 29 anos, complementa a opinião da tia, estipulando -- ao invés de distância -- o tempo de viagem como fator determinante para o descanso. “Acredito que a parada seja válida a cada três horas de viagem”.

O estudante de educação física Wilmar da Cruz Carvalho, 30 anos, demonstrou não se incomodar com as paradas, mas não escondeu sua escolha: “Venho de São Paulo a Araraquara para estar com minha família todos os finais de semana e se for possível encurtar o tempo de viagem para não perder um minuto sequer, o horário sem parada é a primeira opção a ser levada em conta”. E finaliza: “Por mim, o ônibus nem pararia em São Carlos para o embarque e desembarque de passageiros”, brinca. Sobre os motivos que levaram a Artesp ao não cumprimento da portaria até o momento, a agência foi consultada através de e-mails, mas não houve resposta da assessoria de imprensa do órgão.

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