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Esterilização feminina depende de fatores sociais e culturais

Por: PAULA CRISTINA CARDOSO BENEDICTO

08/04/2005

A esterilização feminina faz parte dos assuntos mais discutidos em todo o mundo, principalmente nos países de baixa renda como o Brasil. Os fatores social e religioso influenciam na decisão entre optar ou não por deixar de ter filhos.

Existem diferentes meios de esterilização feminina e muita procura pelos diversos métodos de contracepção, porém só dois desses recursos são considerados definitivos: a laqueadura em mulheres e a vasectomia nos homens. Para a definição de um método apropriado a cada caso o interessado, homem ou mulher, deve discutir o assunto com um médico.

Segundo o médico Gustavo Fernando Menezes do Amaral, 26 anos, residente no curso de cirurgia na Santa Casa de Ribeirão Preto, para o controle da natalidade no Brasil, o ideal seria que “a paciente fosse submetida a critérios exigidos pelo CRM".

A análise de caso, feita por um médico especialista, indicará o melhor meio contraceptivo para que não cause frustrações ou arrependimentos mais tarde. Uma cirurgia definitiva, como a ligadura tubária (laqueadura, termo mais conhecido entre as mulheres), exigirá uma nova cirurgia caso a mulher resolva, mais tarde, ter filhos novamente. Trata-se de uma cirurgia de alto custo se comparada à vasectomia (método cirúrgico que encerra permanentemente a fertilidade em homens).

Mesmo assim é mais comum a procura pela esterilização da mulher do que a do homem. Os motivos dessa escolha, apesar do maior risco cirúrgico, estão ligados a um preconceito social. Muitos homens resistem à vasectomia por temor à impotência sexual, o que, segundo os médicos, não faz sentido.

PREVENÇÃO COMPROMETIDA

Existem alguns inconvenientes para a mulher quando submetida à ligadura tubária. "Muitas se esquecem que não estão imunes às DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), e deixam de se prevenir contra elas", alerta o médico Gustavo Amaral, que recomenda a camisinha como método eficaz de contracepção e prevenção de doenças.

As vantagens estão em não haver muitos riscos relacionados ao uso da camisinha. "Não é preciso supervisão médica e é barato", lembra. A desvantagem está na alta taxa de falhas (taxa de gravidez de 10 a 30 por 100 mulheres durante o primeiro ano de uso).

"As camisinhas precisam estar disponíveis antes do início da relação sexual. Podem reduzir a sensibilidade do pênis e dificultar a ereção, mas nos últimos tempos é um dos métodos mais usados pelos casais", enfatiza o médico.

OUTROS MÉTODOS

Existem outros métodos, também usados para a prevenção da gravidez, e que apresentam vantagens e desvantagens: o diafragma, espermicidas, o coito interrompido, tabela (que busca determinar, através de cálculos, o início e o fim do período fértil), dispositivos intra-uterinos (DIU), anticoncepcionais vaginais.

Para o médico ginecologista Arnaldo Cristoforllette, a laqueadura está entre um dos métodos mais procurados pelas mulheres em seu período fértil (normalmente entre 24 e 40 anos), devido a fatores sócio-econômicos. Essas mulheres em geral têm mais de dois filhos e preferem um método mais seguro para evitar a gravidez.

Dentre os vários meios de esterilização da mulher existem os reversíveis. O uso de anticoncepcionais orais combinados, contendo estrógenos e progestágeno, tem eficácia de 1 a 8 casos de gravidez por 100 mulheres, durante o primeiro ano de uso. A eficácia é imediata se a orientação médica for seguida à risca e o anticoncepcional não interfere com o relacionamento sexual, além de reduzir as cólicas menstruais.

As desvantagens dependem muito da usuária. O método não protege contra as DSTs e requer motivação e disciplina para o uso diário. O esquecimento aumenta os índice de falha e pode também postergar o retorno à fertilidade.

"A sociedade precisa rever logo os seus conceitos em relação à religião e proibições de contraceptivos, pois a vida também depende de saúde”, lembra o médico Arnaldo Cristoforllete.

Para a evangélica Maria da Guia Francisco Neto, de 40 anos, é preciso responsabilidade por parte das pessoas quando está em jogo a relação da religião com a vida. “Sou conivente com minhas crenças dogmáticas, sou a favor da vida, porém com responsabilidade por parte dos indivíduos, se existem meios contraceptivos, e tanta criança nascendo para morrer de fome, por que não usá-los?", pergunta. "Jesus quer ver todos bem, e não doentes por capricho do homem e suas diversas doutrinas”, opina Maria da Guia.

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