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Pesquisador da USP de São Carlos analisa cachaça brasileira

Por: KLEBER JORGE SAVIO CHICRALA

31/03/2005

Ao longo dos últimos onze anos dedicados ao estudo da química da cachaça, o pesquisador da Instituto de Química da Universidade de São Paulo(USP), em São Carlos (SP),Dr.Douglas Wagner Franco vem observado as alterações substanciais no desenvolvimento desta bebida tipicamente brasileira.

Cresce anualmente o número de pequenos e micro produtores de cachaça no país, mas com a mesma velocidade perde-se a padronização do produto, tendo como conseqüência a baixa competitividade interna e externa.

O resultado das pesquisas de Franco ajudam na melhoria do produto e no aumento do valor agregado, sendo que o preço médio de uma garrafa de cachaça de qualidade chega a R$ 15,00, pago pelos apreciadores de cachaça nacional em embalagens personalizadas.

A V Brazilian Meeting on Chemistry of Food and Beverages,criada com a intenção de premiar as melhores cachaças brasileiras, teve, em 2004, a presença de pesquisadores da Itália, Dinamarca, Bélgica, Escócia, Uruguai, Cuba e Brasil, destacando a equipe do Instituto de Química da USP de São Carlos (SP), pelos trabalhos realizados.

As constantes descobertas vem desenvolvendo o interesse em definir de forma clara e padronizada as origens e tipos de nossa cachaça, principalmente por ser um produto tipicamente brasileiro com aceitação no mercado internacional.

"Por motivações comerciais, criou-se movimentos que culminaram em decreto presidencial de número 4072/02 definindo a cachaça de cana como sinônimos do destilado de cana-de açúcar", explica Franco, que regularmente representa o Brasil nos congressos nacionais e internacionais de aguardente.

Considerando-se os aspectos comerciais e de marketing, o nome cachaça tem mais apelo do que a denominação aguardente de cana, mas a legislação de outros países considera a cachaça um tipo de rum, e assim aplicam um taxa de importação superior à determinada para a aguardentes de cana.

A associação brasileira de bebidas(ABRABE) e em conjunto com o Programa Brasileiro para o desenvolvimento da aguardente de cana, tornou possível com base, em nossas pesquisas, estabelecer uma distinção entre nossa cachaça e o rum, e assim tornou o produto mais competitivo no exterior", acrescenta o pesquisador ao reafirmar as vantagens que suas pesquisas trazem para o produto brasileiro tipo exportação.

Segundo ele, a diferenciação do produto se baseou na análise química de 21 amostras de aguardentes de cana de diversas procedências, em amostras devidamente certificadas que foram selecionadas e pesquisadas.

Os defeitos mais importantes da cachaça brasileira estão catalogados e os pequenos produtores poderão se beneficiar diretamente dos trabalhos e utilizarem os serviços da USP, na intenção de ajudá-los na classificação e melhorias de seus produtos.

"Somos privilegiados pelos trabalhos da USP", afirma o produtor rural Marcelo Marino do bairro rural da Aparecidinha localizado no muncípio de São Carlos.



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