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Prótese a base de óleo de mamona revoluciona a ortopedia

Por: KLEBER JORGE SAVIO CHICRALA

30/03/2005

Quem foi criança na década de 70 lembra-se com naturalidade as brincadeiras com mamona, nos terrenos ao redor das casas e nas propriedades da região. A produção da mamona passou a ser assunto de importantes veículos de comunicação, destacado como um óleo lubrificante de alta resistência e aplicações diversas.

Mas a ciência fez desta brincadeira de criança algo sério e motivo de muitas pesquisas, ampliando as possibilidades de uso do óleo da semente de mamona. Nascia então o polímero a base de mamona, a partir de estudo desenvolvido no Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos(SP), tendo como principal pesquisador o professor Dr Gilberto Orivaldo Chierice, que atualmente trabalha nas diversas aplicações do polímero.

O polímero a base de mamona passou a ser usado na produção de matrizes de próteses em várias partes do corpo, inclusive do osso da caixa craniana, e como cimento ósseo. O material substitui as pesadas próteses convencionais, feitas de cimento acrílico ou platina.

As vantagens iniciais estão no baixo custo, se comparado com as próteses convencionais. Uma peça moldada com o material chega a ser 40% mais barata, com a vantagem de não apresentar rejeição quando implantada.

As próteses foram aprovadas por rigorosos testes nos laboratórios do Dr Chierice, na USP. “Estamos trabalhando com ciência, na intenção de beneficiar a sociedade como um todo”, esclarece.

O Food and Drug Administration (FDA), órgão que analisa as drogas e novas terapias nos Estados Unidos, aprovou a técnica e o material usado de forma a reforçar suas aplicações e utilização no ser humano e em animais.

O material vem sendo pesquisado faz quase 20 anos, em busca de uma nova resina para proteger cabos telefônicos de possíveis danos e infiltrações. O polímero a base de óleo de mamona pode ser entendido como um plástico vegetal, que tem propriedades interessantes, inclusive na medicina.

Em 1992 o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, interior de São Paulo, passou a usar o polímero derivado da mamona em pacientes oncológicos, tendo à frente da experiência o médico Guilherme Cestari Filho.

O Dr Chierice confirma: “Depois de um tempo da implantação, o material é metabolizado pelo organismo, e como ácido graxo se transforma em osso, o que diminui totalmente a possibilidade de rejeição.

A equipe de médicos do Hospital Amaral Carvalho implantou uma média de 60 próteses de mamona em testículos, além de mandíbulas, e cimento ósseo com grande eficiência.

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