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Adolescentes engravidam para compensar carência afetiva

Por: EMANUELE NUNES FERNANDES

16/03/2005

Os casos de gravidez na adolescência estão em queda nos últimos anos no Estado de São Paulo. A constatação faz parte de pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde. No âmbito dessa discussão entrou um fato novo: psicólogos excluem como causa da gravidez precoce a falta de informação ou de acesso a métodos contraceptivos. E acrescentam que a gravidez, hoje, é provocada, em grande maioria, por carência afetiva.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos de gravidez entre adolescentes caiu 26,4% em um período de cinco anos no Estado de São Paulo. Em 1998, foram registradas 148.019 ocorrências, contra 108.045 casos em 2003.

O levantamento revela que, em 2003, de cada 100 crianças nascidas no Estado, 17 eram filhas de mães adolescentes. No total, foram registrados 4.071 nascimentos em mães com idade entre 10 e 14 anos, e outros 126.463 nascimentos em mães entre 15 e 19 anos.

Em Araraquara (SP), por exemplo, em 2004, dos cerca de 1.677 bebês nascidos na cidade, 17% (368 bebês) eram filhos de adolescentes entre 14 e 19 anos. Em relação ao ano anterior, 2003, o número de adolescentes grávidas caiu em 2,7%, conforme informou Regina Barbieri, responsável pela saúde do adolescente, na Secretaria de Saúde de Araraquara.

Na opinião da Psicóloga e Sexóloga Maria Helena Gibran, exclui-se totalmente a possibilidade da gravidez na adolescência ter como causa a falta de informações. As adolescentes sabem como evitar a gravidez mas, por carência afetiva, resolvem ter o filho. Não têm a dimensão do que a gravidez significa e pensam apenas que os filhos poderão lhes fazer companhia pelo resto da vida. “Por medo de perder o parceiro, ou por expectativas de criar uma família, ser aceita, ou até mesmo como demonstração de rebeldia, seja para com seus pais ou para com a sociedade, ela acaba engravidando”, disse Maria Helena.

“A gravidez precoce é provocada por falta de motivação e de um projeto de vida. Os jovens usam a gravidez para se auto-afirmar, preencher carência afetiva e chamar a atenção dos pais". Essas são algumas das conclusões do 60º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria.

Segundo a médica Isabel Freitas, especialista no atendimento a adolescentes e auditora do site que divulga o curso de atualização em pediatria, a gravidez é utilizada como forma de auto-afirmação, resposta a conflitos, para preencher carências e chamar atenção dos pais para a desestruturação da família, entre outros motivos. "O planejamento familiar é conseqüência de um projeto de vida e não apenas fruto de informações", observa.

Para Isabel, é preciso criar serviços especializados para essa faixa etária, envolvendo uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde, com pediatra, psicólogo, enfermeira, assistente social, urologista e ginecologista. "É necessário entender a situação do adolescente, ajudá-lo a superar suas dificuldades e a vislumbrar possibilidades de executar seus projetos", finaliza Isabel.

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