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Meninas do futebol vencem barreiras

Por: ALECIA QUINTINO PONTES

23/11/2004

Se você ainda pensa que futebol é um jogo de homens, está ultrapassado. Já faz alguns anos que a paixão nacional conquistou também a platéia feminina, que, não satisfeita em ficar só na torcida, agora também calça chuteiras para correr 90 minutos por um gramado de 110 metros quadrados atrás da bola.

Medo de sofrer faltas ou machucar-se não é com elas. Com o mesmo destemor, jogadoras como a volante Carina Micheli Pereira, a goleira Vanessa Cristina Cataneo, a meia Patrícia Soares e a zagueira Mônica Angélica de Paula, driblam adversários em campo e o preconceito social, que ainda existe fora dele, para curtir sua paixão pelo futebol.

Carina, por exemplo, fugiu de casa para integrar um time e hoje a viaja todos os dias de Ribeirão Preto (SP) até Araraquara (SP) para treinar o dia todo e ainda fazer faculdade de Educação Física à noite.

“Futebol não é coisa de mulher”, dizia dona Benedita, mãe da hoje estudante de Educação Física Carina, quando ela estava na adolescência. Carina já gostava do esporte, que conheceu em peladas que jogava com os meninos de sua rua todos os dias, pontualmente a partir das 17 h.

Ela lembra que chegou a ser proibida de sair de casa para não correr o risco de se envolver ainda mais com o futebol. Sua mãe também tentava convencê-la a ser professora, o que, por pouco, não conseguiu. Ela não escapou de iniciar o curso de Magistério. “Até chantagem material ela fez. Chegou a me oferecer um carro para largar o futebol”, lembra.

Até que um dia, como numa daquelas lendas urbanas em que um marido sai para comprar cigarros e desaparece, Carina sumiu de casa. Disse que iria fazer apenas um teste e não voltou. Hoje só aparece para visitas familiares.

A luta da volante para realizar seu sonho ainda é conquistada aos poucos, tanto na faculdade quanto no seio familiar, mas garra para ela não falta. O pai da jogadora, um aficionado por futebol, apóia a iniciativa e a coragem da filha em enfrentar tantos obstáculos para realizar um sonho.

Sua mãe até hoje foi a apenas duas partidas disputadas pelo time da filha e não deu sorte. Na primeira vez, Carina foi expulsa de campo e, na outra, machucou-se e teve que deixar a partida.

Os colegas de classe gostam de fazer gozações às vezes, mas já se acostumaram com a escolha da esportista, que tem a fama de sustentar-se sobre o mais belo par de pernas da turma, pois corre o dia todo atrás de uma bola, na maioria das vezes debaixo de um sol escaldante.

Para Carina, o esporte é bom na vida de qualquer pessoa, independentemente do sexo ou modalidade praticada. “Pena que ainda não é valorizado, mas mesmo assim levo a sério. O futebol para mim é um sonho”, diz.

Vanessa começou a praticar esporte para tratar um problema de saúde e descobriu logo que sua paixão não estava na quadra de vôlei,seu primeiro esporte, mas no campo de futebol.

Começou com o vôlei, que praticou por dois anos. Quando surgiu em Américo Brasiliense,sua cidade natal uma escolinha de futebol, não teve dúvidas. “Foi amor à primeira vista”, lembra.

De acordo com a goleira, se ela ao menos pudesse contar com o apoio de sua mãe, seria mais fácil enfrentar esses obstáculos. Pois se o futuro dela dependesse da vontade de dona Ivani, Vanessa usaria hoje sapatilhas de balé e teria um diploma universitário.

Já o pai da jogadora prefere que ela siga firme seus objetivos, entre eles o de integrar a Seleção Brasileira de Futebol - um sonho dele também.

Vanessa admite que ultimamente tem pensado na possibilidade de fazer um curso superior. Entre as profissões com que ela mais se identifica estão as de Psicóloga e Jornalista, para alegria da dona Ivani.

Patrícia Soares aprendeu a jogar futebol dentro de casa, com seu pai. Enquanto ele ensinava o irmão a ser goleiro, ela efetuava chutes a gol.

A estudante do último ano de Educação Física é meia de um time de futebol de Araraquara. Ela conta que aprendeu a conduzir uma bola com seu pai, quando ela e seu irmão eram pequenos.

Na verdade, a preocupação de seu pai era ensinar o filho a ser goleiro, e como precisava de alguém para chutar para o gol, Patrícia se candidatou à vaga na seleção familiar.

Com 11 anos, ela já integrava um time de Nova Europa(SP) e disputava pequenos campeonatos. Mesmo com o apoio do pai, precisou ter jogo de cintura para convencê-lo de que não seguiria a mesma carreira dele, a Medicina.

Sua mãe, dona Ilza, por outro lado, já pediu várias vezes que ela deixasse o futebol e fosse fazer faculdade de Odontologia. Não adiantou. “O futebol é muito importante para mim. Não consigo ficar longe da bola”, confessa.

Mônica, que voltou das Olimpíadas de Atenas como uma de nossas jogadoras de Prata, tem quase tantas histórias de preconceitos para contar quanto de vitórias. Todas elas, embora hoje sintam-se apoiadas pelas pessoas que importam, ainda enfrentam obstáculos na carreira que escolheram, mas sentem-se recompensadas a cada partida.

Ela lembra que, quando criança, sua família chegou a levá-la ao médico por acreditarem que o fato dela gostar de “coisas de homem” era doença. “Sempre joguei futebol na rua com os meninos. Eu era tachada de homem”, conta.

A carreira de Mônica teve início aos sete anos, com vôlei e basquete. Ela dedicou-se a esses esportes durante sete anos. Depois, recebeu um convite para jogar futebol no São Paulo.

O sonho da zagueira era integrar a Seleção Brasileira. “Se tivesse que escolher outra profissão, seria bancária”, revela.

A Seleção e a seriedade da zagueira com o futebol, já a levou a disputar duas Olimpíadas, a de Sidney (Austrália), em 2000, e a de Atenas, na Grécia, este ano.Além da Seleção, Mônica integra um time de Araraquara. Assim como Carina, também viaja todos os dias de São Carlos(SP) para longos treinos na cidade.

A zagueira, além de esportista e estudante de Educação Física, consegue driblar a correria do dia-a-dia cuidando da casa e do filho, Felipe, de seis anos. O garoto costuma acompanhá-la nos treinos, dividindo a alegria das conquistas e a superação dos problemas ao lado de sua heroína, a mãe. “Ele não se importa com nada, nem com o fato da própria mãe gostar de ‘esporte de homem’. Para ele, o que vale é treinar comigo”, conta a jogadora.



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