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Violência nas escolas é problema mundial

Por: ALECIA QUINTINO PONTES

25/05/2004

Um fenômeno tão antigo quanto a infância, hoje, em virtude de seu agravamento é reconhecido mundialmente como um problema social: o Bullying.

Não existe tradução literal para o termo em inglês, mas a palavra em português que mais assemelha-se é violência.

Aplica-se a todas as formas de agressão moral intencionais e repetidas, praticadas por uma ou mais pessoas contra alguém.

O leque do Bullying é grande. Abrange desde brincadeiras aparentemente inocentes, como aquelas em que as crianças arranjam os mais ofensivos apelidos para ridicularizar colegas com características destoantes do grupo, até perseguições empreendidas pelos mais fortes do grupo contra os mais fracos.

A reação das vítimas pode ser fatal. O fenômeno pode gerar desde um complexo de inferioridade de proporções variadas até traumas com conseqüências tão ou mais violentas do que a agressão que os gerou.

Os alvos do Bullying, de acordo com suas características e suas relações, em especial as familiares, podem não superar os traumas sofridos na escola. Em casos extremos, podem tentar, ou até cometer suicídio.

Os autores podem levar à vida adulta, o mesmo comportamento, agressivo ou anti-social.

O antigo colégio Carlos Batista Magalhães, hoje desativado em Araraquara (SP), foi o primeiro local em que F. sofreu agressões de uma companheira de classe, com quem dividia a carteira de dois lugares.

Começou porque F. não deixava a colega copiar o conteúdo de seu caderno, atitude expressamente proibida pela professora. Em represália, levava beliscões que chegavam, de acordo com ela, a arrancar pequenos pedaços de seu braço.

Quando chegava em casa, F. contava à sua mãe, que achava normal. "Minha mãe não tinha estudo e, para ela, escola era assim mesmo", conta.

Mesmo assim ela conseguiu terminar a 1ª série do primeiro grau. Na 2ª série, precisou mudar de escola. Desta vez, não era outra aluna que a agredia, mas o diretor.

Ao final do ano da 2ª série do primeiro grau, F. foi reprovada. "Aí eu desisti de vez. Escola, para mim, era sinônimo de apanhar. Como minha família passava necessidades, fui trabalhar.Comecei aos dez anos como empregada doméstica, profissão que exerço até hoje".

Autor e alvo de Bullying, o estudante de uma universidade, Carlos (pseudônimo) compara a sua época de escola aos dias atuais e concorda com o coordenador Josafá, da Escola Pedro José Neto: o fenômeno sempre existiu, mas a sociedade mudou.

"Na minha época sempre levamos esse tipo de ocorrência na esportiva. As brincadeiras eram sadias. Um sacaneava o outro, às vezes até brigava de se pegar, mas passada meia hora estávamos todos juntos novamente", lembra.

Carlos também acredita que os casos extremos, em que estudantes armados chegam a invadir uma escola, matando e ferindo outras pessoas, estejam ligados ao histórico de vida desses estudantes.

Ao recordar-se de fatos ocorridos em sua infância, Carlos diverte-se e lamenta que hoje tudo esteja muito diferente, mais violento e traumático.

Ele lembra que, na sua 1ª série, foi obrigado a falar a um professor o nome de sua mãe, que toda a turma achou muito engraçado e diferente.

"Começaram a tirar uma com a minha cara. Passava pelos corredores e ouvia por todos os cantos me chamarem pelo nome dela", lembra.

Aconselhar por meio de conversas sinceras em salas de aula pode ser um passo para o combate à violência nas escolas.

Na Escola Estadual Pedro José Neto, por exemplo, segundo o coordenador pedagógico Josafá Dantas Filho, essa metodologia é realizada com sucesso.

"Considero os casos de Bullying ocorridos aqui normal. Não acredito que um simples apelido possa afetar gravemente a vida dos garotos. Conversamos com as crianças e os ensinamos a se colocarem no lugar dos outros. Tem resolvido", afirma.

Para o coordenador, os fatores sociais, muitas vezes vividos no âmbito familiar, como desentendimentos entre os pais e necessidades financeiras, influenciam efetivamente o caráter e comportamento das crianças na escola.

Sem contar que, hoje, as mães estão mais presentes na vida escolar de seus filhos. "Na minha época, era tudo à base do psicotapa. Não interessava quem hostilizava ou quem era hostilizado. Todo mundo apanhava", conta Josafá.

O colégio realiza, semanalmente, reuniões entre professores e coordenadores para discutir o problema e buscar soluções por meio de pesquisas sobre ética, cidadania, entre outros expedientes.

De acordo com a professora do colégio, Regiane Cabriu, em escolas particulares já faz parte da didática livros que abordam essa temática, como o "Apelido não tem cola", de Regina Otéro e Regina Rennô, da Editora do Brasil.

"Acredito que os livros fazem as crianças refletirem e mudarem suas atitudes".

O Bullying em casos extremos, onde uma criança ou um adolescente chega a "explodir", muitas vezes ferindo ou causando a morte de colegas e professores é a conseqüência de uma infância desestruturada. A primeira referência social da criança é a família.

Segundo a psicóloga, orientadora de Medidas Sócio Educativas em Liberdade Assistida, da Salesianos, Renata Abi Rached Torres, a influência exercida pela família na infância, é de suma importância, porque a prepara para todas as transformações que sofrerão na adolescência.

Ela ressalta que a família também deve estar presente na vida escolar de seus filhos. "Quando essa criança chegar a adolescência, estará mais preparada e segura para um convívio social fora da família", afirma.

De acordo com o psicólogo, especialista em psicologia da saúde, Carlos Alberto Elias, a adolescência é uma fase delicada, onde a criança passa a formatar a sua identidade.

"Nesta fase, eles testam todos os conceitos passados pela família para depois levá-los para a vida adulta. As vezes, o adolescente, também precisa transgredir algumas regras para refletir sobre os valores que os cercam", observa

Elias acredita que a falta de comunicação e interação dos alunos, professores e pais dão margem ao surgimento do Bullying nas escolas.

"A prevenção ideal seria inserir um psicólogo dentro das instituições de ensino, desenvolver atividades que abordem o tema e o cotidiano de cada um".

Ele observa que quando fatalmente um caso de Bullying surgir, os profissionais diretamente ligados a esses estudantes, devem conversar com os envolvidos, sempre com o cuidado de não fazer com que eles se sintam piores do que já estão, e em seguida comunicar a família.



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