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Detalhes revelam como acontece um relacionamento abusivo

Por: ANA PAULA DA SILVA PINHEIRO

02/10/2018

Os casos de relacionamento abusivo têm chegado cada vez mais ao conhecimento das pessoas, seja por meio da internet, através de entrevistas ou denúncias. Existem casos até de feminicídio, como aconteceu com a advogada Tatiane Spitzner, assassinada pelo marido no apartamento do casal e então jogada do quarto andar, ou o da ex-judoca Adriele Sena que foi esfaqueada pelo ex-namorado ao dizer que queria terminar o relacionamento.

Dados divulgados pela Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo, referentes ao interior do Estado, mostram que no primeiro semestre de 2017 comparado com o de 2018 houve um aumento expressivo de 50% nos casos de feminicídios, totalizando 39 homicídios dolosos de janeiro a julho de 2018. Os números de tentativa de homicídio também aumentaram de um ano para o outro, sendo no total 109 casos registrados no primeiro semestre de 2018, 6% a mais em comparação ao ano anterior.

Esses são dados alarmantes indicando que é necessário reforçar a atenção para que mais pessoas possam identificar a situação que estão vivendo. Letícia Ambrósio, psicóloga e palestrante, com especialização em abordagens cognitivo-comportamentais, alerta que a atenção é fundamental para o reconhecimento das situações que indicam sinais de agressividade do parceiro em uma relação afetiva.

 “Geralmente, o parceiro afeta as emoções e sentimentos da vítima, de tal forma que se torna dependente dela para ser feliz. A vítima praticamente dá à outra pessoa o controle completo de suas próprias emoções, e isso não é nada saudável, pois impacta de forma negativa em sua autoestima”, disse a psicóloga.

De acordo com Ambrósio, reconhecer as necessidades emocionais e assumir o controle da própria vida é extremamente fundamental para a finalidade da independência. “Você pode compreender e reconhecer as necessidades dos outros, mas lembre-se de que você precisa viver a sua vida e não a vida que alguém quer que você tenha”, acrescenta.

A melhor forma de identificar um relacionamento abusivo é observar nos mínimos detalhes. Lizandra Dutra, secretária de um salão de cabeleireiro, relata que demorou para perceber que a situação de seu relacionamento com o namorado estava saindo fora de controle.  “Eu não quis ver e aceitar, e nem acreditar que isso poderia acontecer comigo. Aos poucos ele foi dominando a minha vida, minhas emoções. Ele me manipulava para eu sempre estar errada e ele o certo”. A família de Lizandra já percebera que o namorado dela era uma pessoa agressiva. Só ela ainda não percebera, apesar dos alertas de sua mãe e de um irmão.

Muitas vezes as vítimas acabam sofrendo caladas, não fazendo uso do relato para as pessoas próximas ou às autoridades competentes por conta de fatores como o medo e a insegurança ou até mesmo por acreditarem que, da próxima vez, a situação possa ganhar contornos diferentes.

No caso de Lizandra, ela chegou a resistir ao máximo, até com que decidiu expor as circunstâncias para a sua família e proporcionar um final nas agressões.

Após agredi-la, seu então namorado a prendeu em casa por três dias sem qualquer forma de comunicação externa. Depois deste período, então é que conseguiu comunicar-se com o seu irmão, que a encorajou a abandonar a residência em que morava com o antigo parceiro. Lizandra acionou um táxi e foi para a casa da mãe, levando seu filho, um bebê de então 9 meses e filho do ex-namorado, junto com ela. Posteriormente, tentou obter na Justiça uma medida protetiva contra o ex-parceiro por meio da Delegacia, mas o prazo para denúncia havia expirado. Restou apenas o registro de um boletim de ocorrência que, até agora, não gerou qualquer resultado prático para que o agressor possa ser punido.



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