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Transtorno psicológico exige atenção e precisa ser levado a sério

Por: CAROLINA GOMES DE FARIA

16/05/2017

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,8% da população brasileira tem depressão, e boa parte dessa porcentagem é de jovens, afirmam médicos. Por mais que não haja pesquisas representativas sobre essa doença entre jovens, médicos e pesquisadores afirmam que o número de jovens com doenças psicológicas vêm crescendo. Ainda segundo a OMS, no Brasil, 9,3% da população sofre com transtorno de ansiedade. Já a bipolaridade atinge cerca de 4,2 milhões de brasileiros, a doença é marcada pela constante mudança de humor da pessoa.

O estudante de psicologia, Everton de Castro Resende, explica que a bipolaridade é caracterizada pela mudança de humor, indo de humor depressivo para um humor eufórico. Já o diagnóstico da depressão se dá quando o paciente apresenta esses seis sintomas: anedonia (que é a perda da capacidade de sentir prazer), prejuízos na área social, familiar e ocupacional, alterações de peso (perda ou ganho de peso sem motivo aparente), insônia, sentimento de culpa e ideações suicidas. A ansiedade, por sua vez, é uma reação normal do corpo, porém em excesso pode ser o sintoma de transtorno do pânico, fobia social, entre outros, portanto deve haver cuidado no diagnóstico.

Resende ainda fala sobre os tratamentos possíveis que “podem ser medicamentos (ansiolíticos, barbitúricos), juntamente com psicoterapia (esses transtornos geralmente são de origem biopsicossocial)”, ele ainda lembra que somente os psiquiatras que podem receitar tais remédios.

O estudante R.H.C., 20 anos, de Matão (SP), tem início de depressão, para tratamento, faz sessões mensais de terapia. Apesar de terem sido receitados medicamentos, por serem muito fortes, o estudante optou somente fazer a terapia, o que tem funcionado. Ele ainda diz que quando tem acessos, música, vídeos ou sons de ASRM e sons ambiente ajudam ele a se acalmar.

Quanto ao papel da faculdade onde estuda, ele explica que há momentos que a mesma o prejudica por conta da pressão que é posta nos alunos para obtenção de bons resultados em projetos e trabalhos acadêmicos, mas também ajuda pelo fato de ser lá que ele encontra a maioria de seus amigos.

R.H.C. ainda deixa um recado: “se houver um sentimento de tristeza persistente, de insatisfação com si próprio ou com tudo ao redor, pensamentos depressivos, procure ajuda. É difícil lidar com isso, não é algo que as pessoas estejam preparadas para lidar. Alguns podem dizer que é ‘apenas um momento’, mas não é. É necessário ajuda profissional”.

L.M.S, de 18 anos e também estudante, foi diagnosticado com depressão, ansiedade e bipolaridade moderada. Segundo ele o que mais o aflige é a depressão e quando ele tem acessos, assim como da ansiedade, ele procura se isolar até que passe. L.M.S. optou por parar de usar remédios por conta destes o deixarem muito grogue e sonolento e serem caros.

Conforme o estudante, “a faculdade e a pressão familiar tornam tudo mais difícil, as pessoas depositam tanta pressão em você e às vezes torna-se sufocante”. Conforme a faculdade vai exigindo mais dele, ele sente que a ansiedade segue o mesmo ritmo, o que faz com que ele sinta a necessidade de se desligar de tudo e todos por algumas horas para resgatar a energia, o que nem sempre funciona, mas ajuda de alguma forma.

A professora de Língua Portuguesa, da Universidade de Araraquara (UNIARA), Julia Gorla, quando questionada sobre como ela age caso tenha algum aluno com transtorno psicológico, explica que, primeiramente, conversa com a Coordenação, do curso em que leciona aulas, para saber se há alguma informação da família e, a partir daí, ela presta mais atenção no aluno e tenta “orientá-lo nas atividades, sem que ele se sinta diferente”.

Publicada em 16/5/2017 às 21h02.



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