Ageuniara

Profissionais alertam para os riscos do uso inadequado de medicamentos

Por: JULIANA MARÇOLA ANGELO

09/05/2017

É muito comum tomar um remédio para dor de cabeça, dores musculares ou gripe. É normal, também, comprar o mesmo remédio que o vizinho ou algum parente tomou e indicou. A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode acarretar o agravamento de uma patologia, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sinais e sintomas.

Segundo o representante farmacêutico Jader Joel Marçola, os principais medicamentos utilizados de forma inadequada são anti-inflamatórios, antialérgicos e antigripal. “O uso inadequado de anti-inflamatórios, por exemplo, pode causar lesões no estômago, afetar os rins e resistência ao medicamento, sendo necessário doses mais altas ou, até mesmo, mais potentes. No caso de antialérgicos/antigripais, muitos causam sonolência e tontura. Pacientes que tem profissões como motorista ou operadores de maquinas necessitam de atenção com o uso desses medicamentos”.

A farmacêutica Ana Paula Castanha explica que o uso frequente e exagerado de medicamentos por conta própria podem acarretar diversas complicações como problemas de úlcera, gastrite além de poder gerar intoxicações no fígado e problemas sanguíneos. "É muito importante investigar a causa do problema para que o uso de analgésicos e anti-inflamatórios não causem outras dificuldades a nível gástrico, hepático e até hematológico”. 

Existe uma preocupação ainda maior com o uso de antibióticos que, se usados de maneira inadequada, podem aumentar a resistência de micro-organismos, comprometendo a eficácia do tratamento. “Para que o antibiótico tenha eficácia clínica são necessárias concentrações e doses corretas. O intervalo de tempo durante uma dosagem e outra deve ser respeitado, pois se o regime posológico não for respeitado, devido ao esquecimento por exemplo, a concentração plasmática do antibiótico pode diminuir, e com isso as bactérias voltam a proliferar-se e a infecção reaparecer”, explica a coordenadora do curso de Farmácia da Universidade de Araraquara (UNIARA), Dra. Thalita Pedroni Formariz Pilon. “Em relação a dose, administrar doses menores do que as prescritas não apenas compromete o objetivo do tratamento, como também facilita o surgimento das superbactérias. Por outro lado, o excesso pode acarretar em efeitos colaterais tais como, alterações gastrointestinais, náusea, vômitos e diarreia”, complementa Thalita.

Antigamente, os antibióticos podiam ser vendidos sem prescrição médica, porém, com o uso exacerbado destes e de outros medicamentos com substâncias psicoativas (que agem diretamente no Sistema Nervoso Central), o governo brasileiro criou uma lei para que estes fossem vendidos somente com receita médica. “Apesar disso, o sistema de saúde no Brasil é muito falho e não é difícil de conseguir receitas falsas para a compra de psicotrópicos (calmantes, antidepressivos, indutores de sonos). Não se encaixa em automedicação mas é um problema sério de uso inadequado, já que estes medicamentos estão no topo da lista”, comenta Ana Paula.

Dúvidas

Existem muitas dúvidas com relação à alimentos e bebidas que podem ser ingeridos com os medicamentos. Os refrigerantes e sucos, especialmente os cítricos, diminuem a metabolização e a eliminação de alguns medicamentos, além dos chás que retardam a absorção de medicamento pelo organismo, por isso é sempre recomendável a ingestão com água. Além dos alimentos que não podem ser ingeridos, deve-se ter atenção com a interação entre medicamentos. “Um exemplo clássico disso é a relação entre antibióticos e anticoncepcionais. Os antibióticos cortam boa parte dos hormônios presentes nas pílulas, causando ineficácia dos anticoncepcionais”, finaliza Ana Paula.

Cuidados com as crianças

É valido lembrar do cuidado que deve-se ter com os pequenos, pois possuem grande curiosidade e se aventuram mexendo no que é proibido. O estudante de 19 anos, Ulisses Seabra, conta que quando era pequeno ingeriu uma grande quantidade de um medicamento, pois gostava do sabor. “Bebi o pote todo de remédio porque tinha gosto de cereja. Quando minha mãe viu, ligou para o pediatra desesperada e ele falou que eu só ia dormir. Dormi por 12 horas por causa disso”.

O uso continuo de medicamentos pode gerar dependência (ao ponto do princípio ativo do remédio não fazer mais efeito); reações alérgicas e até morte. É necessário procurar sempre um médico especializado. Nunca deixe medicamentos e/ou produtos perigosos ao alcance de crianças.

Publicada em 09/05/2017 às 20h48.



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