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Ator Robinson Pinheiro é peça chave na encenação da Via Sacra em Ibitinga

Por: ANA PAULA DA SILVA PINHEIRO

19/03/2018

Que a Via Sacra em Ibitinga já se tornou tradição, disso não resta dúvida. Robinson Pinheiro, nascido e criado em Ibitinga, é o ator responsável por interpretar Jesus Cristo desde a primeira edição da encenação, ou seja, em 2018  Robinson se prepara para viver Jesus pela 38ª vez.

A longa série de encenações quase ficou sem o Robinson no ano passado. Por um problema de saúde, faltando pouco menos de dois meses para o evento, a Via Sacra de Ibitinga correu o risco de ter de procurar outro ator. Durante uma corrida de rua em Jaú, uma lesão na coluna o deixou sem condições de mover-se.

Robinson cuidou de recuperar-se o mais rápido possível para retomar os ensaios e participar da encenação da Paixão de Cristo. Mesmo ainda com algumas dores, o ator desempenhou o papel que lhe confere identidade e o tornou conhecido em toda a região.

Além de ser conhecido por seu papel na encenação tradicional da Semana Santa, o ator é também conhecido por trazer vários prêmios para Ibitinga como corredor de provas de rua e outras competições do gênero. Robinson enumera suas três paixões: “A via sacra, a corrida e o meu netinho, Felipe”.

As preparações para a peça começam muitos meses antes.  Os cabelos e barba param de ser cortados a partir de dezembro para que, na data esperada, esteja o mais próximo do personagem. Teve um ano que a preparação foi além do costume. Robinson precisou perder 9 Kg, de janeiro até março, para viabilizar a elevação de seu corpo na engenhoca usada na cena da crucificação.

O ator ressalta que começou a se dedicar ao esporte por dois motivos. “Eu preciso estar bem preparado para o evento que requer muito do meu físico e do emocional. Só a cruz pesa 100 Kg. O segundo motivo é a estética, pois o personagem que eu faço tem o biotipo mais magro e na história tem todo o contexto por conta dos 40 dias no deserto”.

A dedicação de Robinson é intensa. Na hora em que o personagem recebe chibatadas ele se dedica por completo, pois são verdadeiras e com força. Além disso, o ator ressalta que “quando eu coloco a roupa o Robinson some; a partir daquele momento eu sou inteiramente do personagem. Até quando está próximo do horário da apresentação eu me isolo, me concentro para que tudo possa sair como o planejado”.

Ele relembra uma história engraçada que aconteceu na cidade de Boracéia. “No final da apresentação eu olhava lá de cima e tinha muita gente. Um silêncio fúnebre tomava o público e todo mundo apreensivo, angustiado. Eu fiz a fala: 'Pai, em tuas mãos entrego meu espirito'. Pisaram num cachorro e ele saiu gritando Cain Cain Cain. A praça toda caiu em risadas, inclusive os artistas, e eu tive que respirar fundo para não sair da concentração. Por fim consegui terminar e disse: 'Tudo está consumado'”.

Como em todos os lugares, imprevistos acontecem, mas o show não pode parar. Robinson relembra uma história emocionante de força e amor ao público. “Em Boa esperança do Sul estava trabalhando com uma cruz de lá. Na hora que a cruz cai, ela cai no meu braço e eu já mudo o braço para que não me machuque. Nesse dia, ela não caiu como deveria, conforme bateu no chão minha mão estava embaixo, foi uma dor absurda. O soldado que vinha me acompanhando tropeçou nos fios do microfone que estavam próximos  ele acabou pisando em cima da minha mão, machucou mais ainda. A dor foi absurda, mas a cena não pode parar. Na hora de ir pro calvário falei pra ele baixinho: 'Eu quebrei a mão'. E então chegou a hora da cruz e a minha mão não fechava para me segurar, mas mesmo assim continuamos a encenação até o final. São incidentes do momento que você não tem o que fazer, você tem que ir até o fim”.

Nascido e criado em Ibitinga, o que pode fazer pela cidade ele faz. Dentro do esporte ele não abre mão de escrever na camiseta de corrida “Ibitinga – Capital Nacional do Bordado”. Nas costas ainda tem uma dedicação a Nossa Senhora de Lurdes e a frase “A paz esteja com você”.

E quando questionado sobre como se sente fazendor esse trabalho que mexe com o coração de tantos fiéis, ele responde: "Muito agradecido".

“Nós não fazemos teatro; apesar de ser um teatro, nós evangelizamos através da peça. Tem que ser feito tudo com muita responsabilidade, queremos passar a ideia verdadeira. É um trabalho que dá muito gosto de fazer. Digo para os outros que tenho três filhos de carne e osso e um de paixão, a Via Sacra. Por isso me envolvo dessa forma. Me perguntam o  por que de a cruz ser tão pesada, é a forma que eu encontro de agradecer pela minha saúde, pela minha família e por poder estar ali mais um ano fazendo história”.



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