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Araraquara é a cidade da região com o maior número de desemprego e rotatividade

Por: MIRIAN RAMOS PEREIRA

31/10/2017

Em Araraquara (SP), o saldo de empregos ainda está em negativo. O desemprego, que na expectativa de todos os cidadãos araraquarenses era diminuir, aumentou de 2016 para 2017. Além disso, a cidade é considerada com o maior número de rotatividade de funcionários na região, segundo uma pesquisa do Sindicato Comerciário local.

De modo geral, houve o fechamento de 370 vagas, em diversas áreas, como produção nas indústrias, empresas e lojas. O comércio  é uma exceção, pois ainda é um dos poucos lugares que estão contratando. Com a chegada do fim de ano, as lojas apostam em contratações de vendedores temporários, em grande quantidade, para que as vendas sejam feitas com agilidade e sucesso. Normalmente, tal contratação se dá por conta do horário especial, até às 22 h, durante 15 dias antes do Natal. Mesmo assim, algumas lojas preferem não contratar auxiliares, alegando que o movimento está fraco, comparado aos anos anteriores.

Lais Cristina Trinchette, 28, que reside em  Araraquara, atualmente está desempregada e relata que está muito difícil arrumar um emprego. ‘’As empresas também estão dando uma segurada em contratações devido à redução de gastos que se tem com o funcionário. Na minha área de formação que é gestão de recursos humanos, nunca consegui uma oportunidade, pelo fato de não ter experiência. Acredito que eles acham uma perda de tempo e de dinheiro investir em alguém que está começando, se podem já contratar alguém pronto. Mas agora no fim de ano, estou com boas expectativas em relação ao comércio, pois estão contratando para o Natal’’, afirma.

O gestor de uma empresa consultora em ergonomia, que visa à saúde e ao bem estar do trabalhador, Carlos Eduardo Pelegrini, dá seu posicionamento como gestor e explica  por que a crise faz com que não haja contratação de novos funcionários, além do motivo de existir a rotatividade quando é efetuada a contratação. ‘’A situação atual do país foi gerada por um conjunto de decisões equivocadas associadas à ausência ou não do cumprimento de um planejamento estratégico de médio e longo prazo. Infelizmente a politica econômica da nação foi distorcida em razão de uma abordagem populista insustentável, e obviamente a conta chegou aos contribuintes (Pessoas físicas e Jurídicas) ".

" Nosso estado é muito vinculado ao governo, muito normatizado e burocrático, tornando a atividade empresarial extremamente complexa, fato que impacta diretamente no PIB e renda das pessoas. O governo precisa investir urgentemente em educação e qualificação profissional e em programas de financiamento para micro, pequenas e médias empresas, pois elas são a maior fonte de emprego destes pais. Associado a isso, o governo deveria também, reduzir a carga tributária e o processo de regulamentação das empresas. Somos o país com maior número de leis, normas regulamentadoras e processos trabalhistas do mundo", completa.

Segundo ele, as atuais organizações têm muita dificuldade em encontrar pessoas com a formação técnico/ profissional adequada. " Somando-se a essa questão, existem ainda fatores de ordem individual como perfil e engajamento. Infelizmente, a educação no Brasil é tão precária que as pessoas não conseguem entender como se comportar dentro de uma equipe, e com isso surge a rotatividade tão presente. O cenário varia conforme o segmento de negócio, todavia, o Turn Over (impacto de rotatividade de negócio) ocorre pela dificuldade de entrega das metas por parte do colaborador (performance), comportamento ou mesmo por ausência de um plano de retenção de talento que deve ser estruturado pela empresa. Acredito que a população desempregada precisa se qualificar, seja por meio de curso técnico, graduação ou pós-graduação", observa Pelegrini.

Na opinião dele, existem sim, muitas oportunidades de emprego, mas a formação das pessoas não é compatível. "Infelizmente não há outro caminho que não seja pela educação, pois o perfil de que o mercado necessita é justamente de pessoas que possuam conhecimentos específicos’’, finaliza.

Os comerciários acreditam também, que é muito difícil contratar funcionários sem experiência, pois, em geral, após treinados e moldados para um bom desempenho na empresa, são contratados pela concorrência. Por isso, investem no funcionário que já possui experiência, que já sabe atender à demanda necessária e não requer um novo treinamento, já possui conhecimento do trabalho a ser feito.

Por um lado, os gestores afirmam que não dispensam bons currículos, mas que estão  aguardando a situação melhorar, para futuras contratações. Assim que houver um reaquecimento da economia, certamente precisarão de uma produção agilizada e com resultados.

Por outro, os desempregados também têm procurado investir seu tempo em cursos técnicos gratuitos, além de entregar currículos constantemente pela cidade. Para driblar essa situação, muitos tem  aceitado trabalhos como free-lance, ‘’bicos’’, ou venda por conta própria, até conseguir um emprego regularizado. 

Publicada em 31/10/2017 às 21h08.



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